15 de abril de 2010

Dedo Na Cara

Ele atravessou a multidão;
Ele não sabia nem seu nome;
Ele se achava o maior valentão,
Depois sem ajuda morreu de fome.

Morreu mesmo!

Quem manda se achar tão valente?
Cada situação tem o peso do ser um,
E a comunidade deixará incontente
Todo aquele que não ajudar de jeito algum.

A comunidade gritava no meio da rua sem parar.

Vi com meus próprios olhos tão linda passeata,
Não foi como as outras que já vi;
Esta era verdadeira, era exata,
Os gritos eram de fúria e de paz... eu ouvi.

Eu presenciei.

Ele foi pagar ao trabalhador,
Foi pagar a mesma merreca de sempre,
Então viu os trabalhadores ali todos unidos;
Não só para receberem mais,
Estavam unidos por estarem unidos inteiramente.
Estavam porque não iriam se animalizar
Por causa das injustiças que começam lá em cima;
Estavam unidos não só naquela causa e naquele momento;
Estavam no sangue, estavam no corpo!

O sujeito mentiu para a multidão,
Ninguém para ele tinha importância;
Com muita malícia se achava mais,
Se achava o cara, se achava esperto;
Foi preso com sua empregada doméstica
Lhe colocando o dedo na cara.

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