27 de setembro de 2011

Acuda!

A queda da criança provocou o choro dela,
Provocou o super dengo e cuidado das mulheres em volta;
Como não parou, começou a carreira dos homens e mulheres que não eram da família;
As babás profissionais foram acionadas,
Os professores foram de olhos bem abertos para o local;
Os bombeiros foram acionados,
Os policiais tomaram posição
E outros diversos especialistas saíram ao encontro da pequena como se fosse
Um dos trabalhos mais sérios de suas vidas.
Um pensamento era comum em todos eles

"Não se deixa criança chorando".

26 de setembro de 2011

Fios

Antes eu era um, dois, três por vez.
Agora, sou bilhões e mais uns tantos.
Estamos juntos mesmo sem querer,
Estamos com os braços colados,
Seja pela carne ou por informações.
Não quero minha carne virando números,
Mas quero meus sentidos expandidos.

Certas transformações nos afetam no íntimo mais fundo
e não adianta nos enganarmos.

Tenho sede de me compartilhar,
Sede de tornar-me parte, parte do monumento virtual.
Mas antes de mostrar o que eu fiz,
Quero mostrar quem sou.

13 de setembro de 2011

O Barco

O barco chegou por ondas grandes
E transformou as minhas em ondas carinhosas,

Boas de lavar os pés.



O barco devolveu a energia de casa,

Retirando o resto do escuro

Que ainda havia dentro de mim.



Chegou invencível.

Me levantou cedo e já bem acordado,

O que não acontecia nunca.



Ele trouxe as estrelas mais para perto,

Para eu ter uma noite mais bonita

E dormir melhor.



O que vinha no barco?





Você.............



Amor.



4 de setembro de 2011

Reunião De Qualquer Hora

Eu viro as páginas
E o enredo segue dentro de mim.

Não sei se viro para ler
Ou para mostrar do que sou feito, o que me compõe,
Minhas vontades.

Apenas sei que leitura não é leitura completa, se ela acaba nela mesma.
Para se tornar leitura, precisa ser repassada. Principalmente para os de menos acesso.

Acendam os postes, a reunião já vai começar.

1 de setembro de 2011

Um Brinde Às Empregadas Domésticas (diaristas)

Uma delas foi quase uma irmã, outras, no mínimo, foram essenciais quando eu era mais jovem. Não fale mal de empregada ou diarista na minha frente, profissão que ainda é a mais ocupada (baseado em dados desse ano) pelas mulheres do Brasil. Sempre foi natural eu ouvir coisas como "parece uma empregada", ou "roupa de empregada" ou "o negócio é comer empregada" acompanhadas de brincadeiras sutilmente relacionadas ao machismo. Como se, se houvessem empregados, com 20, 35, 40 ou 50 anos ou mais; não iriam transar com garotas de 15, 16, 17, 20 anos que desse em cima deles. "Ladra", quando a pessoa não consegue achar alguma coisa, "incompetente"quando quer fazer a diarista de escrava. Ao contrário desses pensamentos, eu faço um brinde à todas as empregadas deste país, pessoas comuns, coerentes à situação que vivem; pessoas maliciosas e boas, nervosas e generosas. Eu faço um grande brinde.
Um parabéns pelas conquistas nos direitos trabalhistas... às próprias, e àqueles que propiciaram isso. Eu fico contente em ver que essas mulheres estão sendo mais valorizadas. Ora; limpa cueca, faz comida, limpa calcinha, varre a casa, encontra objetos perdidos, cuida da criança e tantas outras coisas; ela nos ouve. Agora, bêbamos!